Pesquisa mostra que os leitores preferem os livros físicos

Pesquisa com 2.400 leitores de livros de todas as idades nos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha descobriu que a maioria das pessoas preferem os livros físicos, por sua aparência, sensação e até cheiro.

O estudo, encomendado pela fabricante de papel Stora Enso, mostrou que 65% dos entrevistados preferem livros físicos, contra 21% que preferem e-books e 14% audiolivros. Os franceses mostraram o maior índice de preferência por livros físicos. A maioria disse preferir ler ou ouvir livros de ficção para se divertir e ter um tempo de qualidade a sós.

“Esses resultados confirmaram nossas expectativas de que o mercado de livros físicos deve continuar forte, o que é uma boa notícia para nossos clientes de gráficas e editoras”, disse Jonathan Bakewell, vice-presidente e chefe do Segment Office and Book Papers, da Stora Enso. Mas houve alguns resultados surpreendentes no grupo mais jovem (16 a 24 anos) pesquisado, onde 70% disseram preferir livros físicos a e-books. Para faixas etárias mais avançadas, os livros físicos têm superado os e-books em áreas como potencial humano e atenção plena, principalmente durante a pandemia, quando as pessoas pararam para refletir mais.

Desintoxicação digital

As pessoas começaram a redescobrir a leitura, em parte motivadas pela pandemia, quando muitos ficavam presos às telas o dia todo para trabalhar ou estudar, mas não queriam levá-las para o sofá na hora de relaxar. A maioria dos entrevistados (63%) disse que leu mais durante a Covid, incluindo quase 70% no Reino Unido e nos EUA. No segmento jovem, 64% disseram que leram mais, sendo 76% dos jovens nos EUA e 73% no Reino Unido. Durante o isolamento, a materialidade do livro de papel mostrou-se mais confortável para alguns do que um dispositivo digital. Parte dos entrevistados até citou o cheiro de um livro físico, como capaz de evocar lembranças agradáveis.

Entre olhos e ouvidos

Mas mesmo que os livros físicos contemplem uma parcela maior de corações e mentes, o estudo mostrou que há momento e lugar para cada um dos três formatos de livro, com poucos entrevistados dizendo que se limitaram a apenas um. E-books e audiolivros são mais convenientes e leves de carregar e podem ser consumidos em vários dispositivos. O audiolivro é complementar ao livro físico e ao e-book, na medida em que está competindo por “ouvidos” com podcasts, rádio, música e outras mídias de áudio.

Livros como estoque de carbono

Os livros físicos, e o papel em que são impressos, são circulares e renováveis. 42% dos leitores disseram que gostam de guardar os livros quando terminam de lê-los, enquanto 26% os emprestam ou doam. Outros 26% vendem seus livros e os 5% restantes os reciclam ou descartam. E embora os livros emitam carbono durante a produção e distribuição, eles estocam carbono enquanto estão nas prateleiras. É importante lembrar que os e-books requerem energia para serem fabricados e utilizados e demandam espaço de armazenamento de conteúdos na “nuvem”, a qual tem uma enorme pegada ambiental. Além disso, o lixo dos dispositivos eletrônicos já é um problema sério no planeta, com milhões de toneladas de equipamentos obsoletos e baterias sendo descartadas anualmente.

A neutralidade de carbono estava no topo da agenda para a maioria, com 61% de todos os entrevistados e 70% dos jovens dizendo que pagariam mais (em média 5,7% do preço de varejo) por livros neutros em carbono. A maioria também compraria de um ponto de venda que fornecesse livros de carbono neutro.

Os números no Brasil

A pesquisa “Trend Tracker Survey 2023”, realizada por Two Sides junto a 10.847 pessoas em 16 países, incluindo 1.000 entrevistados no Brasil, mostra que a preferência pelo livro impresso avançou fortemente desde 2021, comparativamente ao formato eletrônico. Em 2023, 64% dos consumidores entrevistados no Brasil informaram ter preferência pela leitura do livro impresso, em comparação a 37% em 2021. Apenas 29% dos entrevistados disseram preferir ler livros em dispositivos eletrônicos, enquanto 7% são indiferentes ao formato.

“O número de pessoas que preferem o livro em papel cresceu mais de 70% desde a pandemia, o que consolida o formato impresso como o melhor na opinião dos consumidores”, afirma Fábio Mortara, presidente de Two Sides Brasil e América Latina. “No caso dos livros, os leitores não aderiram à tendência de uso de dispositivos eletrônicos verificada para acessar outros tipos de comunicação, como jornais e revistas”, explica.

Explore mais sobre Two Sides e o mais novo infográfico “Razões para escolher livros impressos!”

Equipe Two Sides