Amar Papel é fácil

No Brasil, a celulose usada para produção de papel vem de árvores cultivadas e de materiais reciclados.

A celulose, principal matéria-prima para a fabricação de papel, é obtida a partir de árvores e de outros vegetais fibrosos. Por isso, muita gente pensa que usar papel causa desmatamento. No entanto, é exatamente o contrário!

Vários países produtores de celulose plantam as árvores necessárias para a sua produção.

No Brasil é assim. Quanto maior for a demanda de papel, cartão e papelão, mais árvores precisarão ser plantadas. Mesmo assim, o desperdício deve ser evitado. Papel, cartão e papelão devem ser usados apenas quando necessários.

Cada árvore colhida é substituída por várias outras para garantir o suprimento futuro de matéria-prima. Por isso, dizemos que a celulose vem de fontes renováveis.

Para obter a celulose, os produtores brasileiros usam o eucalipto australiano e o pinus norte-americano (um tipo de pinheiro).

Essas árvores não existem nas matas nativas brasileiras. Por isso, só estarão disponíveis se forem plantadas constantemente. Assim, os fabricantes plantam e incentivam o plantio das árvores que utilizarão.

A mídia impressa é indispensável no ensino de boa qualidade

Embora as plataformas digitais possam ser muito úteis na educação, a leitura em papel e a escrita em cadernos não devem ser, de nenhuma maneira, colocadas em segundo plano.

Para Maryanne Wolf, neurocientista da Universidade da Califórnia, a mistura de estímulos mentais proporcionada pela leitura em dispositivos eletrônicos pode comprometer seriamente a capacidade de leitura aprofundada de textos que demandam maior concentração (13).
Michel Desmurget, diretor do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França, afirma que o uso excessivo de aparelhos digitais causa diversos problemas para o processo de aprendizagem, como déficit de atenção, ansiedade e dificuldade de concentração (14).

O relatório PISA 2021 – “Developing Literacy Skills in a Digital World” informa que estudantes que leem mais livros impressos apresentam performance superior aos que preferem os livros eletrônicos (15).
A Comissão Europeia promoveu um extenso e aprofundado estudo comparando as leituras em papel e em dispositivos eletrônicos. A conclusão foi sintetizada na “Declaração de Stavanger”(16).

…A investigação indica que o papel continua a ser o suporte preferido para a leitura de textos mais extensos, especialmente se exigem uma compreensão mais profunda e se a tarefa de leitura requer maior retenção da informação, e também indica que é o suporte que melhor se adequa a uma leitura de textos longos de caráter informativo. A leitura desse tipo de textos possui um valor inestimável quando se visam algumas capacidades cognitivas tais como a capacidade de concentração, o desenvolvimento de vocabulário ou capacidades de memória…Declaração de Stavanger

Além da leitura em papel, tomar notas em cadernos também se revela mais eficaz na aprendizagem do que teclar em equipamentos eletrônicos. Isso porque a escrita à mão estimula muito mais o cérebro.

Numa pesquisa recente da Universidade de Tóquio, orientada pelo neurocientista Kuniyoshi Sakai, estudantes que fizeram anotações à mão, em cadernos, apresentaram melhores resultados em memorização e compreensão do que aqueles que usaram teclados. Durante os testes, as atividades cerebrais dos estudantes foram monitoradas por ressonância magnética. Naqueles que usaram a escrita manual, verificou-se atividade cerebral mais intensa em áreas associadas com linguagem, memória, orientação e visualização (17).

Não se trata de escolher uma opção única entre mídias eletrônicas ou impressas. Two Sides entende que todos os recursos disponíveis para aprimorar a educação devem ser usados. No entanto, a leitura e a escrita em papel não podem ser abandonadas, pois isso traria um grande prejuízo para a aprendizagem. Livros didáticos e cadernos continuam sendo imprescindíveis.


Fontes

Booklet Mitos e Fatos, 2024

13. “O Cérebro no Mundo Digital – Os Desafios da Leitura na Nossa Era”, Editora Contexto
14. “A Fábrica de Cretinos Digitais”, Editora Vestígio
15. https://www.oecd.org/publications/21st-century-readers-a83d84cb-en.html
16. http://ereadcost.eu/stavanger-declaration/
17. Frontiers|Paper Notebooks vs. Mobile Devices: Brain Activation Differences During Memory Retrieval | Behavioral Neuroscience (frontiersin.org)

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